Novos acabamentos Saccaro

Localizado no coração da América do Sul, o Pantanal é considerado uma das maiores
extensões úmidas do planeta. Sua fauna e flora admiráveis fazem desse ambiente um santuário de natureza exuberante.
Esse habitat incrível é a inspiração para a cartela de cores e acabamentos da Saccaro, que traz para os móveis toda a vida e riqueza do Pantanal.

Conheça nas redes sociais Saccaro todas as cores e inspirações para a Coleção 2018.

Artesanato de Heloisa Crocco

 

No start, Heloisa criou o Projeto Topomorfose – Topo (o topo do corte no tronco/as entranhas), Morfose (transformação) – a partir de um profundo estudo dos veios da madeira, que se definem no calor e no frio: mais escuros e macios no verão, quando o tronco está crescendo; mais claros e rígidos no inverno, quando a madeira hiberna. Ela estudou as características de diversas espécies nativas do nosso privilegiado território, estabelecendo padrões, reconhecendo origens visuais no artesanato indígena e popular. Foi estudando também cortes e composições com pequenos pedaços de madeira, pintando, desenhando, criando texturas e experimentando técnicas. Foi fazendo aplicações em objetos, carimbos, móveis e revestimentos até painéis e murais. Em padronagens, já reúne um grande acervo, sempre nos tons naturais associados à madeira, aplicadas em cerâmica, louças, têxteis, cartonagem, couro e móveis. Várias foram desenvolvidas também como matrizes para linhas de produtos de empresas: Tok & Stok (roupas de cama, xícaras e panelas), Vista Alegre (louças), Personal Paper (papelaria), Arte Nativa Aplicada (tecidos), entre outras.

Seu trabalho ganhava cada vez maior visibilidade e reconhecimento. Chegou um convite de Ouro Preto, em Minas Gerais, para resgatar o sentido do artesanato com pedra sabão, uma arca perdida. “Na terra de Aleijadinho e com toda aquela riqueza arquitetônica, os artesãos esculpiam Cristo Redentor, Buda, pirâmides… Passamos a explorar as referências da paisagem urbana para esculpir na pedra-sabão e floresceu um artesanato plenamente identificado com a história local”, explica.

A repercussão não tardou e Heloisa criou com outros artistas o Projeto Piracema de Design para o

desenvolvimento de produtos e materiais gráficos. Ela passou a levar seu legado Brasil afora, com vários trabalhos para a revitalização do artesanato popular. Sempre explorando, vivenciando o meio, a cultura de cada lugar aonde vai para capacitar, despertar os artesãos.

Para novos conceitos. Trocando experiências com eles, aprendendo modos e olhares, identificando a fortuna local – arquitetura, cores, geometrias, fauna, flora, sons, escrita, etc. – para que os artesãos a enxerguem e, assim, a valorizem. Nesse processo acontece um encontro, o que torna possível desenvolver em conjunto novos padrões de design para os objetos que serão criados – durante e depois – com as matérias-primas, obviamente, locais.

“Quando se busca fora das origens, não te pertence, não se encontra o significado. Já quando tu olhas para o que é teu, para a tua origem, a compreensão é tal que tu te aproprias e não deixas ninguém mexer, nem estragar”, diz Heloisa.

Assim aconteceram os projetos Vivência, em Marajó, com argila, couro, madeira, sementes, palha da costa, fios e miçangas em bordado; o Mão Gaúcha, com lã, em Bagé (esquila, lavagem, carda e fiação para confecção de mantas e roupas), fibras vegetais na Serra gaúcha (palha de trigo, principalmente, trançada como pelos imigrantes italianos), couro e argila em diversas cidades, materiais tão caros ao gaúcho, entre outros. O resultado é um artesanato inventivo, pujante, vivo!

As ideias se multiplicavam e Heloisa desenvolveu novas técnicas. “Fui buscar as origens do gaúcho, com todo o seu aparato de trabalho no campo, como os itens de montaria, o laço, o relho”, conta, explicando que assim nasceu uma linha de produtos para a Altero, com puxadores de móveis em couro trançado dentro do metal. E ela explorou também as cercas típicas das fazendas no Pampa para montar painéis e tramas, expondo recortes das laterais e miolo – desconstruídas as estacas de seus fios de arame liso e farpado, sobressaem os buracos esculpidos pelo tempo e o vento – às

pontas irregulares.

Seu projeto mais recente é com o filho Thomaz: Casa Jamur (cogumelo, em indonésio, nome da produtora de vídeo internacional de Thomaz), um espaço de vivência espiritual e estímulo à vida saudável. Resgataram uma casa de 111 anos no interior de Santa Catarina e a montaram  novamente na praia do Silveira, reaproveitando toda a madeira e preservando a história da moradia, reinventando os espaços. Thomaz é designer visual e já rodou o mundo – chegou recentemente da Colômbia, onde filmou a segunda etapa do projeto Rekombinando, com um grupo de surf que leva história, artes e educação ambiental pela América Latina. Ele idealizou sua vida junto ao mar, pois ama o surf, se fortalece na energia da água e da natureza e mora no Silveira. A proximidade com a mãe, no entanto, se sustenta independentemente de distância física, pois reside não só no vínculo afetivo como também no artístico. Eles já fizeram outros trabalhos juntos, como uma coleção limitada de pranchas de surf, com visual arrojado em diversos modelos com padrões dos veios da madeira. Os mesmos vínculos se estabelecem com o filho caçula, Vicente, o Vico, chef de cozinha. Depois de estudar gastronomia na Alemanha e trabalhar por mais de uma década na Europa, instalou um laboratório experimental de culinária no Crocco Studio, com contêineres e um pergolado rústico e sofisticado, inspiradíssimo. Ele recebe para eventos com receitas criadas para encorpar o sabor enclausurado na essência dos alimentos. As mesas coletivas são arrumadas pela mãe com manifesto design. Mas Vico viaja a maior parte do tempo pelo Brasil e o exterior a trabalho. Atualmente está em Paris, a convite da chef Morena Leite, criando um cardápio Sabor Brasil para o restaurante do Museu do Homem. Os chocolates que esculpe com padronagens do projeto Topomorfose fazem sucesso por lá.

Os três sempre estiveram juntos, se acompanham de perto pelo whatsapp, por vídeos, por e-mails, dialogando, vibrando com novos trabalhos e conquistas, aplacando saudades. Ela segue produzindo, garimpando agora dentro do ateliê, descobrindo materiais esquecidos, reaproveitando e germinando novos frutos. Heloisa é como a árvore que oculta raízes vitais, nutridas por veios de água invisíveis, que irrompem energia para sua natureza, sábia e audaz, vicejar a céu aberto a cada nova fase de vida. Aos 67 anos, linda e elegante, está sólida em sua casa studio de pinus com os nós aparentes, que também conta uma história como árvore. Agora está finalizando a construção de um recorte do Crocco Studio fora do Brasil. Lá mergulhará no silêncio para revisitar, organizar e

catalogar seu notório fazer: um Patrimônio.

O trabalho de Heloisa com revitalização de artesanato popular repercutiu também no exterior e ela foi convidada, em 1985, pela Universidade de Los Andes, na Colômbia, para dar um curso de design têxtil. Foram 10 anos, com incursões anuais, em que identificou as origens da arte pré-colombiana para desenvolver uma coleção em tramas e texturas com este argumento. Em 1997, coordenou o

Manos del Uruguay, instituição de artesãs da lã no Uruguai. Em um ano, resgatou com o grupo a referência de identidade local – fauna e flora ganharam destaque e também um baralho em couro feito pelos índios (herança espanhola do jogo de cartas) – para desenvolver uma coleção que fizesse frente à competição globalizada. O grupo se fortaleceu e cresceu, hoje são 18 cooperativas com 800 mulheres trabalhando, com vendas para Nova York, Milão e Tóquio. O projeto Topomorfose recebeu o primeiro prêmio em Revestimento, no 8º Salão de Design Museu da Casa Brasileira/SP e Destaque em Design (três vezes) pela Associação Francisco Lisboa/RS. Ainda do Topomorfose, Menção Honrosa no 13° Prêmio Design Museu da Casa Brasileira/SP para o Armazém da Tigela Cereal; Prêmio na categoria Mobiliário; Prêmio de Exposição individual no 26º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte/MG – O Brasil Amanhã, no Museu de Arte da Pampulha, e os selos Design Excelência Brasil e iF Design Award para a coleção de pranchas de surf com o filho Thomaz. Heloisa tem murais no Hilton Dubay, nos Emirados Árabes; no Hotel Caesar Guarulhos, em São Paulo; no Hospital Beneficência Portuguesa, em Fortaleza e Recife; na maternidade do Hospital Moinhos de Vento, no novo endereço administrativo da Lojas Renner, no edifício Iguaçu, da Smart

Arquitetura, e totens em empreendimentos da Cyrela Goldsztein, em Porto Alegre. Participou de várias exposições coletivas, salões e bienais na Alemanha, Áustria, Hungria, Holanda, EUA, França, México, Uruguai e Brasil.

PAUSA PARA RELAXAR

Luxo é uma palavra associada ao prazer. E imagino que cada um tenha a sua interpretação do que luxo e prazer significam. Vou tentar explicar aqui o que eu considero luxo nos dias de hoje. Vivo neste país continental, conectado ao mundo pelas vias da modernidade, cheio de possibilidades de deslocamento e de comunicação com o exterior e um pouco desconectado dos prazeres essenciais de ser brasileiro.

O que considero essencialmente luxo no Brasil é a luz, o espaço e a natureza exuberante que temos. De norte a sul são quilômetros de surpresas, uma variedade enorme de paisagens, de climas, de biomas e de gente. Pois eu encontrei o luxo ao conhecer a Bahia da Costa do Descobrimento, e me surpreendi com a possibilidade de contemplar as maravilhas das nossas praias em pleno 2017, praticamente como um navegante europeu em 1500. Me explico. Apesar dos milhões de turistas que povoam os nossos destinos-estrela, ainda existem praias praticamente desertas neste Brasil, onde alguns sonhadores construíram pequenos refúgios paradisíacos, em sintonia com o meio ambiente.

Lugares difíceis de chegar e impossíveis de sair às pressas. Lugares para ficar, contemplar, para desacelerar de verdade. Lugares para se entregar ao prazer de se estar no Brasil. Minha experiência foi neste sul da Bahia, no pequeno trecho entre Trancoso e Corumbau.

Alguns poucos quilômetros do nosso imenso litoral que nos transportam pra outra dimensão. O caminho pra se chegar a Corumbau por terra é realmente uma aventurinha, e tem uma parada obrigatória pra entrar no clima desta Bahia mansa, que é a praia da Caraíva. De Trancoso, são aproximadamente 100km de estrada até lá, sendo que os últimos 40km são de estrada de terra. Pode-se alugar um carro ou contratar um, para deixá-lo na margem norte do rio Caraíva. Dali, canoas fazem a travessia para o centro da vila. E na Caraíva você se sente aquele navegador europeu recém desembarcado da sua nau.

A vila é banhada pelo rio e pelo mar. Você pode escolher onde prefere tomar sua água de côco, na sombra de uma castanheira ou das barracas coloridas instaladas à beira-mar e à beira-rio. Vale a pena dar um passeio pelo centro da vila também. As ruas da Caraíva são todas de areia branca e fofa. Veículos motores são proibidos, mas você pode usar o serviço de taxi-carroças, puxadas a cavalo, para se deslocar. Outra curiosidade local que é para mim um verdadeiro luxo: todos os fios de eletricidade estão enterrados e não existem postes de iluminação pública, uma exigência da comunidade. A luz da rua é a do sol, ou a das estrelas e a da lua.

RUMO A CORUMBAU

Da Caraíva até a praia de Corumbau, que em Pataxó significa “longe de tudo”, são 12 km pela areia, que podem ser percorridos à pé ou de bugue. O serviço de bugues pode ser agendado através das pousadas e é um passeio que vale pelo visual lindo. Uma extensão enorme de praia deserta, com um mar azul turquesa de um lado e de uma vegetação viçosa do outro. O percurso perfeito pra você se adaptar ao ritmo local. Mas se preferir, você pode ir de barco, em um pequeno avião ou de helicóptero.

Quando chegamos à ponta de Corumbau, mais uma travessia nos espera. São poucos minutos de canoa até a outra margem, onde o motorista da pousada nos recebe, e mais uns poucos minutos por uma estradinha de terra até nosso destino. Corumbau tem um pequeno centro, com igrejinha, barracas de praia, alguns restaurantes e um comércio. Depois desse centrinho, uma estrada estreita de terra, paralela à praia, leva você às pouquíssimas propriedades particulares e discretas que oferecem alojamentos exclusivos.

O hotel Vila Naiá talvez seja o mais especial de todos, o perfeito exemplo do luxo não ostensivo. Precursor do luxo sustentável, e eu diria também que é o esplendor das pousadas da Bahia. Um presente que Renata Mellão, a proprietária da fazenda, divide com seus hóspedes desde 2004. Ao chegar, longas passarelas de madeira rodeadas por um jardim de plantas nativas desenham o caminho até a recepção, onde somos recebidos com água de coco fresca e uma introdução ao nosso pequeno paraíso. Um conjunto de chalés de madeira, semelhantes às casas de pescadores da região, compõe as dependências da pousada.

São apenas oito habitações, recheadas de todo o conforto contemporâneo e decoradas com a mescla perfeita entre o que há de melhor do design e do rústico essencial. A luz é mansa, o silêncio é absoluto e a brisa do mar corre por dentro dos espaços, lembrando que estamos a poucos passos da areia. A privacidade é total, o serviço é extremamente gentil e discreto, e a sensação de liberdade é imensa. São 50 mil m² de natureza praticamente intocada, em que predominam os coqueiros e amendoeiras, e onde nos sentimos como hóspedes exclusivos.

Cerca de dois terços dessa área foram transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural em 2002 , regularizada e gerida pelo Vila Naiá, com inspiração nos critérios de proteção das reservas públicas. A propriedade ainda conta com fontes renováveis de energia, realiza a compostagem dos resíduos orgânicos e possui horta e viveiro.

VIDA DE SONHO

Tudo é pensado para fazer o hóspede entrar em sintonia com o ambiente. Os horários das refeições são extremamente elásticos, assim como o local onde elas são servidas. Você escolhe onde, como e o que quer consumir, dentre as opções de um cardápio de drinks, petiscos e pratos deliciosos, preparados na hora por uma equipe atenta e cuidadosa.

Uma piscina refrescante está à disposição para os momentos de preguiça de caminhar até a praia, um Centro de Educação Ambiental está instalado em uma das construções do complexo pra quem quiser conhecer mais sobre o assunto, assim como um viveiro de mudas nativas e duas trilhas ecológicas. Para se chegar até a praia, basta sair por um portãozinho a poucos metros dos chalés e atravessar a rua de chão batido. A praia é absolutamente espetacular. São 15 km de areia branca, mar calmo e praticamente ninguém pra perturbar seu relax. Em frente à pousada, na beira da praia, estão 8 cabaninhas brancas, cada qual com seu par de camas com colchões, toalhas de banho e travesseiros à sua espera. E você recebe no check-in um rádio pra se comunicar com o staff.

Águas de coco, drinks e aperitivos podem ser solicitados e chegam com um sorriso simpático em poucos minutos. Você leva algum tempo pra acreditar que aquela praia deserta, com rádio e toalhas brancas, realmente existe. A sensação é de que voltamos aos tempos de Pedro Álvares Cabral, se não fosse o rádio, é claro. Eu realmente acredito que é o cenário perfeito pra qualquer ser humano que queira descansar. Um dia no Vila Naiá vale por uma semana em qualquer outro lugar do mundo.

Se der vontade de se movimentar um pouco, dê alguns passos até o mar azul a sua frente e divirta-se. O mar é imenso e parece só seu!

Uma caminhada até a ponta de Corumbau também vale a pena. No transcorrer do caminho começamos a avistar pescadores solitários, alguns poucos banhistas e em cerca de meia hora chegamos a um bucólico cenário de barquinhos coloridos e pessoas tranquilas e felizes em meio a um bosque de castanheiras, tomando suas caipirinhas nas mesinhas dos bares. Mas, confesso: acho que o melhor de tudo é saber que na volta nosso paraíso particular segue deserto e à nossa espera. Uma dica para a noite: depois do jantar vá até a beira da praia e olhe para o céu. É a maior vialáctea que você pode apreciar, ou pelo menos uma das melhores desse surpreendente paralelo 17.

AO ESPELHO!

Não muito longe de Corumbau está outra maravilha da Costa do Descobrimento: a Praia do Espelho, que fica a 25km de Trancoso. No caminho entre a Caraíva e a Praia do Espelho encontram-se as falésias, que criam um cenário surpreendente e contrastam com o exuberante coqueiral da praia. Aliás, a Praia do Espelho também surpreende o visitante que passar mais do que um dia por lá com outro fenômeno da natureza: de seis em seis horas, a maré sobe ou baixa, criando piscinas de águas absolutamente cristalinas entre as rochas encravadas na areia.

Durante o dia é a diversão dos banhistas. À noite, um balé de luzinhas dança no breu, indicando a festa dos pescadores sem barco. Quem tiver intimidade com a pesca pode se munir de balde e lanterna e se esbaldar com os ouriços, polvos e outros bichos mais, que ficam ao alcance das mãos habilidosas. Outra maré que alterna entre o dia e a noite é a dos visitantes. Em função do difícil acesso e dos altos preços, o Espelho é uma praia relativamente deserta à noite e bem cheia durante o dia.

Muitas pessoas vão até lá pra desfrutar das belezas naturais até o pôr do sol. O que garante uma noite silenciosa e muito exclusiva.  Para quem quer experimentar passar a noite no Espelho, sugiro duas experiências contrastantes. As pousadas mais charmosas estão na beira da praia. Diferentemente de Corumbau, onde a praia não tem construção alguma, o Espelho tem uma faixa de areia bem larga e depois disso muitas casas, bares de praia e pousadas pontuando o caminho. Todas as construções harmonizados por um estilo parecido. Muita madeira, palha e almofadões, criando uma sensação de grande lounge com o pé na areia. E todas respeitando um espaço arejado em relação aos seus vizinhos.

Praia cheia, sim, em temporada alta e em um dia ensolarado, mas tranquila. No canto esquerdo da praia, bem próximo às falésias, encontra-se a pousada Bendito Seja, que faz parte dos Roteiros de Charme. Lá você pode reservar o quarto de frente pro mar, no térreo, e se sentir o dono da casa. Ao abrir a porta do seu quarto, você terá a sua varanda, um extenso gramado convidativo, a areia e o mar. E de novo, o silêncio.

Luminárias na decoração

Elas auxiliam na iluminação dos ambientes, trazendo uma luz mais suave e intimista, e podem ser usadas em diferentes partes da casa.

A luminária de chão pode dar um ar mais sofisticado aos ambientes e até substituir uma mesa lateral na decoração, além de auxiliar na iluminação trazendo luz suave e intimista. “Vale ressaltar a importância de luminárias com bases pesadas para que não virem caso alguém se apoie nas peças, garantindo a segurança”, orienta Vanessa Giacometti, lighting designer e empresária da SPOT Lighting.

O objeto, acolhedor e funcional, pode ser usado democraticamente no décor. “Na sala, a luminária pode estar ao lado de uma poltrona ou sofá. Além da função estética, ela pode servir como iluminação para leitura”, aconselha Ana Paula Guimarães, do escritório Manarelli Guimarães Arquitetura. Nos quartos, elas podem substituir abajures sendo posicionadas ao lado da cama ou de uma poltrona.

Conheça a versatilidade das luminárias Saccaro:

Projeto: Deise Pucci

Projeto: Claudia Geremia

Projeto: Manarelli Guimaraes

Fonte:

Casa Claudia – Por Mariana Conte

Heloisa Crocco na Revista Saccaro Casas

O ambiente doméstico era caloroso e criativo, com a casa quase sempre repleta de parentes do interior que vinham a Porto Alegre para tratar da saúde – o pai, médico, um porto seguro da família – ou apenas visitar. A mãe, avó e tias cozinhavam e costuravam muito, reaproveitando e reinventando roupas,
desconstruindo-as até voltarem a ser tecido receptivo a novos moldes. Heloisa passou pela Escola Técnica Ernesto Dornelles, o Instituto de Belas Artes e logo enveredou pela arte têxtil. Era a época do boom da tecelagem.

Frequentou os cursos de tapeçaria de Zoravia Betiol, que já era reconhecida e estava voltando da Polônia, e de Elizabeth Rosenfeld, um nome referência do artesanato na Serra gaúcha.
Em 1970, formou-se em Desenho pelaUniversidade Federal do Rio Grande do Sul. Fez cursos de criatividade com Tom Hudson, um mestre do Cardiff ’s College of Art of London (Inglaterra): “Aquilo foi revolucionário, especialmente para aquela época. Imagina passar uma tarde inteira só assoprando pó colorido e observando as formas que tomava”, relembra Heloisa. Em 1985 buscou especialização em artes plásticas com o Suportes Científicos e Práxis, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, estudando os porquês, os filósofos – e aí se pensou no mundo. Ao concluir o curso, todo o seu universo entrou em movimento, em contestação, era a hora de se definir no mundo.
Para tamanha jornada, encontrou o auxílio do arquiteto e amigo Zanine Caldas, que a conduziu em uma viagem para a Amazônia. “Ele era um bruxo da floresta”, diz Heloisa, sintetizando a noção espiritual e profissional dele com a mata. No Km 0 da Transamazônica, em Imperatriz, ela presenciou a derrubada das árvores, verdadeiras “catedrais” arrastando tudo na passagem até o solo. Catou sementes, cascas e cipós abatidos, mas sobretudo olhou para dentro das árvores, para o miolo dos troncos no topo do corte, todo formado de anéis de crescimento. Voltou a Porto Alegre e sua carga chegou de caminhão. Ao contemplar os resíduos da floresta, percebeu que não estava ali a matéria-prima para o seu fazer. Ateou uma fogueira, que, em vez de queimar sua busca, lhe clareou o caminho, e ela enxergou o que olhara dentro das árvores.
Apreendeu os anéis de crescimento dentro de si mesma: sentimentos e conhecimentos interpenetraram-se. Heloisa começou o seu fazer e tornou-se ela própria um processo integrado de transformação, ao desenvolver uma carreira de arte traduzida em uma incansável busca das origens, de todo o potencial oculto em cada material, em cada cultura, em cada comunidade por onde já espalhou generosamente o saber conquistado.